No clássico filme de animação Rango (2011), um camaleão perdido encontra-se em uma cidade do Velho Oeste chamada Poeira, onde a água é um bem escasso e controlado por poucos. O recurso, essencial à vida, some misteriosamente, deixando os habitantes em uma luta diária pela sobrevivência. Embora fictícia, essa história tem um paralelo direto com a realidade de Biritinga, município no interior da Bahia que, paradoxalmente, distribui água para cidades vizinhas enquanto sua própria população enfrenta frequentes crises hídricas.
A cena se repete constantemente: torneiras secas, caminhões-pipa sendo a salvação de muitas famílias e um racionamento que atinge tanto a sede do município quanto a zona rural. O problema da escassez não é novo, mas se agrava diante das dificuldades de infraestrutura e gestão. Biritinga, que deveria ser um símbolo de abundância, muitas vezes se torna um retrato da contradição – um lugar que leva água para fora, mas luta para garantir o suficiente para seus próprios habitantes.
O acesso universal à água é um direito humano fundamental, reconhecido pela ONU. No entanto, para muitas comunidades biritinguenses, esse direito ainda é um sonho distante. Assim como os personagens de Rango lutam para descobrir por que sua água desapareceu, a população de Biritinga se questiona: por que a escassez persiste em uma cidade que tem o papel de abastecer outras?
A solução para esse problema exige planejamento, investimento em infraestrutura e, acima de tudo, uma gestão hídrica eficiente. A água não deve ser um privilégio de poucos, mas um recurso garantido para todos. Enquanto isso não acontece, Biritinga segue como uma versão real da cidade de Poeira, tentando equilibrar a balança entre o que fornece e o que lhe falta.
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